Mirror;


What do you feel when
you look in the mirror?
Are you proud?
Pink.

New Archadia;


Nova Archádia

Giu diz:
Ser do grupo de resistência não era fácil. Aliás, o nome já diz, não é? Mesmo assim, se era a maneira mais eficiente de ir contra a ditadura do Imperador, Cylara estaria preparada para lutar.

Ela empunhou a arma a laser, 300 disparos por segundo, que havia sido retirada do carregamento do Imperador dois dias atrás.

Colocou os cabelos curtos e muito vermelhos para dentro do capacete, e contou até cinco, disparando contra a porta que dava para a entrada da prisão.

Raphs diz:
“Mestre, mestre, os rebeldes estão invadindo a prisão!”
Um dos lacaios adentrou a sala do trono aos berros e correndo, sabe-se lá há quanto tempo ele corria. Eu, do meu canto, espiei apenas meu pai olha-lo de forma complacente, e logo em seguida, esfaqueá-lo com seu cetro de ponta, que lhe dava autoridade sobre Nova-Arcádia.

“Tirem o corpo daqui!” Disse o imperador, sorrindo, enquanto virava-se para mim e para seus generais de guerra, na mesa redonda do conselho. “Acho que precisamos deter a resistência. Adonis, meu filho, irá para sentir o gosto do sangue em batalha.”

Talvez eu devesse ter nascido mulher, apenas para não ter de lutar pela causa que eu julgava errada.

Giu diz:
Mais dois disparos, e a fechadura tornou-se, de vermelha, para verde. Estava aberta. – D’Artagnan para Aramis. Entrada 1, aberta. – Ela murmurou, levantando o braço e abrindo um painel de controle em seu punho. Os codinomes dos quatro líderes da missão eram baseados nos 3 mosqueteiros, e isso divertia Cylara imensamente.

Mas ela não tinha tempo para diversão: não agora. Hanso, seu melhor amigo, e segundo em comando, respondeu com voz chiada. – Aramis para D’Artagnan, entrada 2, aberta. Ela esperou ouvir a confirmação de Brynn e Victor, e, sempre empunhando a pistola, adentrou a cadeia.

Raphs diz:
“Chegou a hora de partir.”
Disse a sábia conselheira, levantando-se de sua cadeira e indo preparar a cela do teletransporte, que levariam os comandantes á cena do ataque. “Os soldados estão prontos, senhor, basta vocês irem.” Boromir tomou a dianteira e eu me levantei para segui-lo, e juntos entramos na cela.

Não vou dizer que era a coisa mais confortável do mundo ter suas células separadas e logo em seguida reunidas em outro lugar, mas antigamente, quando a tecnologia era mais precária, era pior. De qualquer forma, nada foi pior do que aparecer no centro da prisão, onde um exército todo se juntava, apenas esperando que os rebeldes, atraídos como ratos para nossa armadilha, entrassem e, bem, morressem.

“Senhor, acho que devíamos poupar as crianças, pelo menos.” Eu disse à Boromir, mas ele riu. Ele queria matar todos quanto podia.

Giu diz:
Cylara olhou em volta. Os corredores estavam estranhamente vazios, mas ela sabia que, muito provavelmente, o Imperador já sabia da invasão. Dito e feito: assim que ela entrou, as portas atrás de si voltaram a se fechar, selando-a lá dentro. Ela xingou baixinho, mas não podia se deixar abalar.  Apanhou dois explosivos de plasma do bolso do uniforme, que era cinzento como as paredes da prisão. Colocou-os um de cada lado da porta, e acertou o timer. 20 minutos.

Ela apertou alguns botões em seu antebraço, e um mapa tridimensional da prisão apareceu em seu campo de visão. Tomando o caminho da direita, ela silenciosamente avançou para a passagem até o terceiro subsolo. “Guenta as pontas, Gorix.” ela pensou, a arma em punho.

Raphs diz:
Boromir puxou uma das meninas que estavam presas em correntes, ela não devia ter muito mais que nove anos, e colocou a arma sob sua cabeça, brincando de Deus ao mexer com a vida dela. “Adonis, futuro imperador. Não se deve ter misericórdia sobre esse tipo de pessoa, os Antemon são uma raça nojenta, servem apenas para lavar pratos, e nada mais.” Ele levantou a arma e bateu com ela no rosto da menina, que caiu ajoelhada no chão, chorando.

Senti uma onda de ódio subir por meu corpo, mas não fiz nada, a não ser abaixar ao lado da garota e puxa-la para um canto, onde não seria pisoteada por botar e egos.

“Se você diz, Boromir, barão do lixo.” Sorri fracamente, enquanto Boromir se afastava. Sua família era dona da empresa que mandava o lixo para Urano, e essa era sua maior conquista sobre os Antemon, cuidar do lixo dos outros. “Qual o seu nome, garotinha?” Abaixei-me novamente ao lado dela, e sorri. Tinha de haver um jeito de tira-la de lá, junto com os outros inocentes. Eu iria encontrar um jeito.

Ela me olhou de baixo pra cima, como ae eu fosse algo a se ter nojo, talvez ela tivesse aprendido que eu era como meu pai. “Chamo-me Lytra, senhor.” Ela cuspiu a ultima palavra, mas eu não pude culpa-la, ela era uma futura filha da revolução, como os que o exercito iriam matar, logo, logo. “Não se preocupe, Lytra, tirarei você daqui.” Prometi, mesmo sem saber se conseguiria.

Giu diz:
Ela deu duas voltas, até que encontrou um guarda. Cylara segurou a arma, girando o suporte na base para mandar disparos fracos.

O guarda nem viu o que o acertou: em um segundo, estava no chão. Ele não estava morto: apenas desacordado. A ruiva aproximou-se dele, levantando-o sem dificuldade – mesmo que ele fosse o dobro de sua altura. Embora não parecesse, Cylara era muito forte, e treinava diariamente.

Segurou a mão do guarda no leitor de digitais, e a porta a sua frente deslizou silenciosamente. Ela abriu o mapa de novo, e o ponto que representava sua posição brilhou mais perto do local da cela.

Cy estava prestes a continuar seu caminho quando ouviu um guincho, vindo da sala atrás da parede a sua direita. “Se você diz, Boromir, Barão do Lixo.” Ela engoliu em seco. Boromir.

O homem que matara seu irmão, para ter sua mão em casamento. Ela havia sido rica, uma vez, parte de toda aquela sujeira em que se transformara a política de Nova Arcadia. Mas ele não a reconheceria – ela esperava. Só que o guincho fez com que ela percebesse: havia crianças ali. Ela sentiu uma onda de ódio se espalhar por seu corpo, mas fechou os olhos e suspirou fundo. Gorix, primeiro.

Depois, o restante. Ouviu mais vozes. Eles estavam sendo esperados! Recarregou a arma, voltando os disparos para fortes. “Aramis, nós temos companhia.” ela murmurou, no visor em seu braço.

Raphs diz:
Eu me levantei lentamente e olhei para alguns guardas que estavam por ali, tentando procurar alguns amigos, mas não os encontrei. Esperava encontra-los antes que o motim estourasse, para que eles pudessem me ajudar a tirar os reféns dali, afinal, tanto Jax quanto Erin eram da revolução tanto quanto eu, mas não podiam se dar ao luxo de realmente aparecer, de realmente fugir.

Mesmo assim, aquela seria nossa ultima ação antes de sairmos de Nova Arcádia, iríamos para Guathilla e tentaríamos viver por lá, onde era muito mais fácil conseguir trabalho e coisas assim. No entanto, ainda haviam pessoas que eu precisava encontrar e alertar, entre elas estavam Jocasta e Caleb, os dois irmãos oráculos que fugiriam comigo.

Eu só precisava de um estopim para poder por o plano em prática, e depois que avistei Erin e Jax parados mais perto da porta, relaxei um pouco. Agora era só esperar a explosão.

Giu diz:
Cylara respirou fundo, mantendo a arma sempre em punho. Mas foi ao passar pela frente da porta que o primeiro erro aconteceu: Ela ouviu uma explosão atrás de si. Dois guardas armados e corpulentos adentraram o corredor, avançando para a ruiva.

Ela xingou, atirando no primeiro e derrubando-o, mas o segundo vinha com força total. Ele disparou contra Cylara, e a arma voou de suas mãos. Ela olhou nervosamente para a porta do lado, esperando que ninguém ouvisse, e avançou para o guarda, derrubando-o com uma rasteira e socando-o no queixo.

Raphs diz:
Era tudo o que eu precisava, e quando ouvi o barulho da bomba, puxei Lytra pelo braço até Jax e Erin, que já sacavam suas armas e miravam para fora do cômodo em que estávamos. Do lado de fora havia muita fumaça e pouca visibilidade, então tudo logo se tornou um inferno, pois os guardas atiravam contra alguma coisa que eu não podia ver, e eu corria com a garotinha nos braços, rumo até o cristal de Anábia, que me tiraria dali.

Porém, uma rajada de tiros veio em minha direção e pude ouvi-los ricocheteando e perfurando as paredes, depois de atravessarem a cabeça e o corpo de Lytra, a jovem garota que eu carregava. Parei por alguns segundos, olhando o corpo inanimado e jovem jogado no chão, e só não tomei mais tiros porque Jax me puxou para uma sala, e travou a porta.

Dentro da sala haviam várias pessoas, rebeldes, e eu sinceramente não sabia o que eles fariam conosco.

“Somos amigos, estamos tentando deixar o império!” Disse Erin, olhando para um jovem alto e de cabelos castanhos. Erin e Jax eram irmãos gêmeos, loiros e bem atléticos. Erin havia sido muito mais bonita, mas depois de algumas batalhas, seu rosto já figurava algumas cicatrizes. Jax não era diferente, e tinha uma grande marca que atravessava seu olho de um azul elétrico e sumia em sua testa, coberta por seus cabelos loiros e rebeldes.

Eu era mais estranho perto deles, franzino, alto e com cabelos pretos e olhos dourados como os de meu pai. Na verdade, sempre fora cobiçado a me casar com as jovens do reino, mas eu não queria mais daquela vida, e por isso estava numa sala cheia de rebeldes, que podiam ou não me matar ali mesmo.

Giu diz:
Várias coisas aconteceram em rápida sucessão.

O guarda abaixo de Cylara ficou desacordado por causa de seus socos, mas sua alegria teve curta duração. De repente, irromperam pela porta várias pessoas, que ela quase não conseguiu reconhecer, por causa da fumaça que inundava o corredor. Havia uma criança com eles, e Cylara estava prestes a passar desapercebida e seguir em sua tarefa de resgatar Gorix quando reconheceu o que liderava o grupo. Adonis. O Príncipe Dourado. Ela se encheu de raiva. Ele estava fugindo, o covarde miserável! E, pelo caminho que estava seguindo, ela soube. Estava indo direto para a cela dos rebeldes! Cylara seguiu ele. Passou por uma sala aonde jazia o corpo de uma menina pequena, e sentiu seu coração apertar de dor. Não podia parar, mas fez uma prece silenciosa pela garotinha.

Continuou seguindo o príncipe, que era ladeado por dois outros capangas, e, ao entrarem, ela ouviu o pedido dele. Sentiu raiva, de novo. Como ele se atrevia! Apertou o revólver contra a nuca do príncipe. – Tentando deixar o império que seu pai destruiu, não é? Seu covarde! – Empurrando-o, entrou na sala, sem nunca parar de apontar a arma para o moreno. Alguns prisioneiros a reconheceram – inclusive, Gorix.

– Comandante. – ela disse, tirando o capacete com a mão livre. Era linda, mesmo com a cicatriz acima da sua sobrancelha esquerda, do tamanho de uma moeda. Os olhos eram espantosamente verdes, os lábios cheios e vermelhos. Mas ela tinha a expressão de quem vira dor demais.

Raphs diz:
Eu sabia que aquilo aconteceria, mais cedo ou mais tarde. Eu sabia que logo os rebeldes saberiam que eu era o principe e pensariam que eu fugi do trono por causa da destruição, então quase não me manifestei, diante da acusação da mulher as minhas costas. “Você não sabe o quanto está enganada, moça.” Disse, meio em tom de deboche, meio sério. Mal sabia ela que ela e todos os outros só estavam vivos porque eu desviava as ordens de execução de meu pai, que já teria matado os prisioneiros há muito tempo.

Eu tentei parecer calmo, mas Erin era mais explosiva, e olhou para a mulher com olhos de ódio, de dor. “Sua tola, não sabe nada do principe, não sabe o quanto ele sacrifica pra ajudar sua revolução burra, que só trás morte para os seus…” Jax tocou o braço da irmã, como se a acalmasse, e eu fiquei em silêncio, esperando que atirassem em nós.

(Continua)


A gray tower;


Costumava existir uma torre acinzentada sozinha no mar, perdida por entre grandes rochas pontiagudas e muita água salgada, aparentemente sem nenhum propósito de vida ou existência. Mesmo assim ela estava lá, inabalável e segura, mesmo que os ventos fortes tentassem com ímpeto derruba-la e as ondas altas tentassem sem pudor demoli-la; não adiantava, a torre cinza, forte e calcificada, não se movia nem apenas um centímetro para direita ou esquerda, permanecendo sempre em sua posição original.

Ninguém sabia explicar como ela havia aparecido ali, quem a tinha construído ou como uma torre tão pequena conseguia resistir por tanto tempo exatamente no meio do oceano, mas também, não eram muitos que de fato conheciam a torre cinza, e os poucos que conseguiam ver a torre, só a conheciam a distância, pois chegar até ela era um feito impossível a qualquer ser humano.

Não havia uma forma de ultrapassar as pedras altas que circulavam a construção para chegar pelo mar, tampouco vencer o vento para chegar voando, então lá jazia a torre cinza, sempre única e misteriosa, talvez, as inalcançável. Um sonho para muitos, uma frustração para o resto, um fardo para ela mesma.

Do que valia para a torre ser forte e imponente se ninguém chegava perto? Do que valia, para ela, sobreviver a todos os obstáculos da vida sem dificuldade, já que não havia ninguém para lhe sorrir quando ela finalmente chegasse?

Do que valia existir sem ninguém?

 


Desproteja-se com suas rochas, desarme seus ventos e pinte suas cores. Livre-se do seu fardo enquanto você pode.
Shakespeare.


Receita para a vida;


Não diga que não dá, e nunca diga que não há perfeição no que está errado, pois há. Há o tempo de abraçar e o de deixar de abraçar, então não sufoque um amor por excesso de carinho, mas não o deixe morrer por falta de cuidado. Acerte na medida, erre no peso, seja você. Olhe para o céu, contemple as estrelas e inveje os astronautas. Caia aos pedaços, reconstrua-se e encaixe cada um deles em seus novos e devidos lugares, e então se reinvente. Tente ser melhor que da ultima vez; prometa que, na próxima, você vai acertar. E então cumpra tudo o que prometeu.

 

Seja o que há para ser de feliz, viva as emoções e chore como nunca chorou, quando for a hora e também quando não for. Faça o que der vontade, mas respeite os limites; não cruze linhas intransponíveis e não pise nos calos dos outros, para não ter os seus pisados. Alivie a tensão com dança, canto e risadas, mas não se esqueça de alimenta-la nos tempos certos, para não se tornas displicente. Comprometa-se em não se comprometer e não se amarre à falsos pretextos, mas também não traia ou machuque alguém sem necessidade, pois acima de tudo, você deve amar como se fosse a ultima coisa que você faria em sua vida, e quem ama não machuca sem motivo.

Cuide, seja, esteja, transpareça.

 

Viva.


You take your girl;


and multiply her by four.
Now a whole lot of woman
needs a whole lot more!!
— Mika.


A new world — Part O1;


A floresta de Archadia andava calma e deserta naquela noite, mas nem mesmo assim Darious parecia tranqüilo, enquanto rasgava a paisagem em seu cavalo negro rumo ao castelo. Sabia que era de vital importância que suas informações chegassem ao rei, então por mais que o silêncio anunciasse que estava sozinho e seguro, sua mão jazia no cabo da espada, e seus olhos, negros como a noite, perseguiam cada movimento que a mata poderia entregar, cada farfalhar de folhas.

Darious, o grande — como era conhecido por sua fama de melhor entregador de informações de todo novo mundo —, não podia se dar ao luxo de errar quando a missão era tão importante a ponto de envolver o rei; não podia se deixar abater após cruzar meio país resistindo a todas as investidas dos rebeldes e, justamente quando estava tão perto, ser derrubado.

Galopou a toda velocidade costurando as grandes e escuras árvores, desviando de obstáculos e pulando galhos e rochas com uma agilidade assustadora, até que se viu em uma clareira à céu aberto, e se amaldiçoou por isso. Devia ter estudado seu caminho melhor para que não tivesse se posto dentro de um campo tão vulnerável à ataques, e pela primeira vez desde que cruzara os limites mágicos de Archadia, pode ouvir algo de dentro da floresta, um pouco antes de um silvo, que cortou o ar como um projétil.

Bem, e era um projétil.

O cavaleiro nem teve tempo de levantar seu escudo, mas não foi atingido, pois a flecha disparada não era pra ele. Darious sentiu seu corpo ser arremessado do cavalo e bater com violência contra a grama, porém não entendeu de primeira o que havia acontecido. Levantou-se, checou o próprio corpo com uma nota de surpresa por estar intacto e, só depois de alguns segundos, notou seu cavalo caído no chão, com uma flecha de prata cravada no meio da testa, morto.

“Não!” Foi tudo o que conseguiu dizer, em um tom de horror que não lhe era característico. Aquele cavalo havia lhe acompanhado por longas e difíceis jornadas, e vê-lo morto, após tanto tempo, foi algo que irritou Darious. Mesmo assim o cavaleiro não pensou duas vezes ao pegar sua bolsa da sela do cavalo e coloca-la sobre o ombro, antes de continuar andando pela clareira, com certa dificuldade para ultrapassar a grama alta, que lhe batia pela cintura.

Tinha que admitir que estava em desvantagem, e que em tantos anos, aquela era sua primeira chance real de falhar, mas preferiu não pensar nisso. Guardou sua cabeça, e sua atenção, para observar todo o perímetro à sua volta, e foi só assim que percebeu quando quatro cavaleiros deixaram seus postos por entre a grama e vieram ao seu encontro, armados com espadas grandes e de lâminas dúbias, golpeando-o todos ao mesmo tempo. Darious não teve muito tempo para reagir, mas usou os segundos de forma sábia, saltando para o lado e sumindo por entre a grama, enquanto desembainhava sua espada.

Usando a grama para ocultar sua própria localização, cortou o vento com um golpe contra a panturrilha de um dos cavaleiros, acertando-o em cheio e derrubando-o, com um urro, na grama. O movimento atraiu a atenção dos outros três adversários para onde ele estava, mas Darious era tão rápido que segundos após o ataque, já não estava mais no mesmo lugar, e já estava pronto para atacar outro, que lhe deu uma brecha na armadura por baixo do braço.

Não foi preciso pensar muito, Darious subiu de seu esconderijo com o impulso dos pés e cravou sua espada por entre a brecha, estourando a armadura e, por conseguinte, o braço do cavaleiro que lhe enfrentava. O homem gritou de forma gutural, enquanto segurava o braço quase decepado e sumia por entre o alto capim, assim como seu outro companheiro, para horror dos dois que sobraram.

Ninguém se moveu por um tempo, e os três homens se encararam de forma expressiva e intensa, até que os dois cavaleiros resolveram jogar as espadas e facas na grama, e se afastaram, para pegar os feridos. Darious estreitou os olhos negros e pensou em mata-los enquanto ainda estavam vulneráveis, mas desistiu da idéia assim que viu que eles não lhe representavam mais perigo, e resolveu seguir viagem, deixando os inimigos para trás.

Venceu a clareira rapidamente e ultrapassou um pequeno riacho antes de voltar à floresta de árvores altas, ainda mantendo a alta velocidade e o mesmo fôlego. Precisava chegar ao castelo de Archadia a qualquer preço, e sabia que não estava assim tão longe, pois já podia ver o reluzir da lua no templo de ouro que abria a cidade, mesmo por entre as árvores densas e fechadas.

A cidade mágica de Archadia, o antro do mundo espiritual e centro de qualquer força de magia do Novo Mundo, era conhecida principalmente por seus grandes prédios de prata e seus templos de ouro, onde monges eram treinados nas mais diversas artes milenares de invocação. Eram os monges que protegiam as fronteiras e que mantinham a paz dentro da cidade e, por mais que os tempos estivessem difíceis fora dela, Archadia sempre revigorava os visitantes, que precisavam enfrentar muitas dificuldades para alcançar a cidade, que jazia afastada do mundo.

***

Finalmente, quando a noite estava se quebrando e se transformando em dia, Darious ultrapassou as ultimas árvores e chegou aos portais de cristal da cidade, o que o fez abrir um cansado sorriso em sua face barbada. Poderia enfim repousar por um tempo no castelo, veria alguns velhos conhecidos e então daria as notícias da guerra, que àquela altura nem pareciam tão cruciais assim.

Sentiu o efeito da magia da cidade lhe aliviar um pouco do fardo sob suas costas, e foi só por isso que conseguiu continuar de pé, ultrapassando as casas de prata reluzente e alcançando rapidamente a grande escadaria do castelo, a última fase de sua difícil e árdua missão. Venceu os degraus sem dificuldade e empurrou as pesadas portas de bronze até que pudesse entrar, então deixou que elas se fechassem e ultrapassou a passos largos o grande pátio de equitação do castelo.

Era estranho não haver ninguém ali para recebê-lo, mas Darious não pareceu notar isso, afinal, estava eufórico demais por ter chegado e ainda corria para alcançar a sala do trono, que ficava no segundo andar. Subiu as escadas de bronze e correu por mais alguns corredores antes de desembocar diretamente em uma porta dupla de ouro puro, adornada com vários tipos de pedras nunca vistas em outros lugares.

Viu seu próprio reflexo nas portas enquanto as empurrava, e por mais que estivesse um lixo, jamais poderia comparar ao que viu logo em seguida, quando conseguiu entrar na sala do trono. Mais ou menos vinte monges jaziam mortos no chão, todos sujos de sangue, assim como quase todo o resto da sala. O rei, no entanto, estava em sentado em seu trono intacto, com um olhar triste nos olhos, ladeado por dois homens em armaduras completamente fechadas.

Darious tentou se virar e correr para fora da sala, mas não deu tempo. Ao lado das portas haviam guardas que esperavam os que entravam, e que golpearam o homem assim que ele tentou se virar, jogando-o no chão. Um dos homens de armadura pareceu soltar uma risada, enquanto o outro, que parecia maior e mais forte, desceu do altar do trono e se aproximou de Darious, que já via tudo turvo.

“Ora, ora, se não é Darious, o grande.” A voz grossa e arrepiante só se tornava mais fria ao atravessar o elmo, cortando o silêncio que havia se estabelecido na sala.  “Veio de tão longe, de Gomir, só para presenciar a morte do rei de Archadia pelas mãos dos herdeiros de Orhed, bem como dizia a sua profecia?” O tom de deboche era nítido, e foi seguido por outra risada, do homem que se sentara sobre o braço do trono, ao lado do rei. “Não vamos deixa-lo esperando, prometo.”

De súbito, o homem que estava ao lado de Darious simplesmente sumiu, aparecendo atrás do rei, em um piscar de olhos. Darious tentou se levantar, precisava defender o rei de Archadia a todo custo, mas antes que estivesse completamente de pé, sentiu outra pancada contra suas costas, e foi jogado novamente ao chão, dessa vez sem possibilidade de se levantar, pois sua visão já escurecia.

Um grito, uma risada e a sensação de sangue quente escorrendo por seu corpo foram as ultimas coisas que o guerreiro sentiu, antes de estar completamente desfalecido.

Archadia caíra.


I wanted to be loved;


E não compreendido. Queria poder amar sem regras ou formas, sem ser ou ter, ou qualquer coisa do tipo. Queria um amor um pouco mais puro do que essa merda que passam na tv, que vendem por aí à preço de banana, pra quem passar e cobiçar.

Eu quero ter, mas quero que seja direito. Quero amar pra ser amado.